A região do Atacama, no norte do Chile, recebeu em apenas quatro dias um volume de chuva equivalente ao que costuma registrar em quatro anos. O episódio foi classificado por meteorologistas como extremo e completamente anômalo para uma das áreas mais secas do planeta.
Em alguns pontos, os acumulados ultrapassaram 250 milímetros. Segundo o meteorologista Jaime Leyton, cerca de 240 milímetros correspondem à precipitação média de quatro anos na região.
O governo chileno decretou Estado de Exceção por Catástrofe na província de Huasco, uma das áreas mais atingidas pelo sistema frontal. A medida amplia a capacidade de mobilização de recursos e das equipes de emergência.
As chuvas também provocaram a elevação do rio Huasco e a ativação de quebradas, canais naturais que podem concentrar grandes volumes de água e detritos. O risco de enxurradas aumenta à medida que o solo atinge seu limite de absorção.
Nas regiões de vales e da pré-cordilheira, a precipitação chegou ao equivalente a duas ou quatro vezes a média anual. Esses pontos concentram preocupação adicional pela possibilidade de deslizamentos e corridas de lama.
O acumulado atual já supera os níveis registrados nos temporais de 2015 e 2017. Naqueles episódios, volumes entre 200 e 250 milímetros desencadearam inundações e aluviones no norte chileno.
Especialistas ressaltam que o temporal não pode ser dimensionado somente pelo volume total. Em uma região acostumada a longos períodos de seca, a concentração da chuva em poucos dias aumenta o poder destrutivo do escoamento e reduz o tempo disponível para respostas de emergência.
Fonte: Diariodocentrodomundo.com.br

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