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27/09/2026 08:13
PROPRIEDADES RURAIS

Crédito para compra de terras dispara e atrai jovens agricultores

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Contratos praticamente dobraram entre 2024 e 2025, mas burocracia, documentação e preço das propriedades ainda dificultam acesso ao financiamento

Comprar a própria terra e permanecer no campo é o projeto de muitos jovens agricultores. O acesso à propriedade, porém, esbarra no preço dos imóveis rurais, na documentação exigida e na burocracia para conseguir financiamento.

Nesse cenário, o crédito fundiário tem ganhado espaço como alternativa para viabilizar a compra de propriedades rurais. Na região Sul, o número de contratos praticamente dobrou entre 2024 e 2025, passando de 191 para 383 operações.

O volume de recursos liberados cresceu ainda mais. Saltou de R$ 32,2 milhões em 2024 para R$ 89,8 milhões no ano passado, avanço de aproximadamente 179%.

O Rio Grande do Sul liderou o número de contratos em 2025, com 193 operações, seguido pelo Paraná, com 124, e Santa Catarina, com 66.
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Crédito pode ajudar na sucessão familiar

Para jovens agricultores, o financiamento pode representar a possibilidade de construir o próprio patrimônio sem abandonar a atividade rural.

É o caso de Diego Samuel de Souza, de 21 anos, morador de Cantagalo, no Paraná. Ele tenta financiar a compra de uma área que pertenceu à avó para continuar trabalhando junto à família.

O pedido ainda está em análise na esfera federal. Antes de chegar a essa etapa, foi necessário reunir documentos e cumprir uma série de requisitos.

“O crédito fundiário tem uma burocracia bastante grande. O meu ainda não saiu. Estamos ainda nos trâmites para que possa sair. Agora já está na análise federal. Acredito que logo vai sair”, relata.

A dificuldade de acesso à terra também é apontada por entidades ligadas aos trabalhadores rurais como um dos obstáculos à sucessão familiar. Sem condições de adquirir uma propriedade e gerar renda, parte dos jovens acaba deixando o campo em busca de oportunidades nos centros urbanos.

“O crédito fundiário é um instrumento fundamental porque garante que esse jovem terá acesso à terra, à propriedade”, afirma um dos representantes ouvidos pela reportagem.

Centenas de propostas aguardam contratação
Apesar do crescimento das operações, a demanda ainda supera o número de contratos efetivamente realizados.

Segundo representantes do setor, haveria condições para contratar mais de 500 propostas que permanecem na fila. No Paraná, a plataforma da federação responsável pelo acompanhamento dos projetos registra cerca de 500 demandas.

A meta apresentada pela entidade é alcançar mil famílias beneficiadas pelo crédito fundiário no estado em um curto período.

A documentação dos imóveis aparece como um dos principais gargalos. Para a contratação do financiamento, a propriedade precisa estar regularizada e georreferenciada, exigências que podem ampliar o tempo necessário para concluir a operação.

Preço da terra também dificulta acesso
Outro desafio é o valor das propriedades. No Paraná, o valor médio por operação chegou a R$ 265,6 mil em 2025, o maior entre os três estados da região Sul.

Por outro lado, a estrutura fundiária da região pode favorecer operações envolvendo áreas menores. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul possuem forte presença de pequenas propriedades, o que transforma o crédito fundiário em uma alternativa para filhos de agricultores adquirirem suas próprias áreas.

No Paraná, os jovens já representam parcela expressiva dos beneficiários. Cerca de 45% das operações realizadas em 2025 foram enquadradas na modalidade destinada a esse público.

“Decidimos acessar o crédito fundiário porque é um crédito com uma taxa de juros muito mais baixa, muito acessível para nós, para que eu possa continuar aqui ajudando e trabalhando junto com a minha família”, afirma um dos jovens agricultores entrevistados.
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Acesso à terra não encerra o desafio

Representantes da agricultura familiar defendem que o financiamento para aquisição da propriedade seja articulado com outras políticas públicas.

Após comprar a terra, o produtor ainda precisa de recursos para produzir, assistência técnica e extensão rural, além de condições para agregar valor e comercializar a produção.

“O jovem, a família, consegue sua propriedade, sua terra, e depois precisa acessar o crédito, a assistência técnica e extensão rural, acessar a agroindústria familiar para conseguir permanecer naquele território produzindo seus alimentos”, destaca um dos entrevistados.

Para representantes do setor, ampliar essas condições pode fazer com que o crédito fundiário deixe de representar apenas a compra de uma propriedade e se torne também um instrumento para estimular a permanência de uma nova geração de produtores no campo.

Fonte: Canalrural.com.br

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