logo RCN
14/07/2026 17:27
ARTIGO

Montanha-Russa, por Vanir Zanatta, Presidente do Sistema OCESC

  • - IMAGEM DIVULGAÇÃO

Confira o artigo do líder associativista do agronegócio

A agricultura brasileira atravessa um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Preços deprimidos, custos elevados, margens reduzidas, juros altos, instabilidade climática e restrições ao crédito pressionam produtores, empresas rurais e toda a cadeia produtiva. O cenário exige prudência, capacidade de adaptação e compreensão dos ciclos que caracterizam os mercados de commodities.

A alternância entre expansão e retração não constitui novidade. O setor convive historicamente com um comportamento semelhante ao de uma montanha-russa, marcado por oscilações intensas e imprevisíveis. Entre 2021 e 2023, o agronegócio viveu um período excepcional, com preços favoráveis, custos relativamente estáveis, juros menores, valorização patrimonial e margens expressivas. A partir de 2025, esse alinhamento deu lugar a uma conjuntura adversa, formada por preços baixos, despesas elevadas, rentabilidade negativa e crédito caro.

Esses movimentos continuarão a existir. O diferencial está na capacidade de cada empreendimento de reconhecer, administrar e reduzir os riscos da atividade. Há riscos operacionais, ligados à produção, ao clima, aos preços e à logística, além dos macroeconômicos, relacionados à inflação, aos juros, ao câmbio e às políticas públicas. Parte deles pode ser mitigada com planejamento, seguro, diversificação, instrumentos financeiros e organização produtiva.

Também existem riscos de gestão, que envolvem estratégia, governança, controles, sucessão familiar e qualidade das decisões. Esses fatores estão sob responsabilidade direta das famílias empresárias e podem definir a resistência dos negócios diante das crises. Muitos empreendimentos ainda operam de forma intuitiva, concentrados na pessoa física e dependentes da experiência do fundador. Esse modelo sustentou o crescimento em outras fases, mas revela fragilidades diante da complexidade atual.

Para as famílias que ampliaram investimentos e endividamento durante o ciclo de prosperidade, o momento exige reorganização financeira, redução de dívidas, venda criteriosa de ativos, diálogo com credores e revisão das estruturas internas. Em situações mais graves, surgem renegociações, reestruturações e pedidos de recuperação judicial. O principal aprendizado consiste em evitar decisões baseadas na expectativa de continuidade das margens elevadas.

Em sentido oposto, produtores e empresas que preservaram reservas, mantiveram níveis prudentes de endividamento e adotaram controles mais rigorosos encontram oportunidades na crise. Ativos desvalorizados, novas parcerias e melhores condições de negociação podem abrir caminhos para um crescimento sustentável, desde que acompanhados de cautela, governança e análise técnica.

É nesse ambiente que o cooperativismo assume função decisiva. As cooperativas conhecem profundamente os desafios da produção agropecuária, em especial do segmento de grãos. Organizam produtores, prestam assistência, ampliam o acesso a tecnologias, estruturam a comercialização e criam estratégias para a conquista de mercados internos e externos. Também exercem uma defesa técnica competente do setor, fundamentada na realidade das propriedades e das comunidades rurais.

A atuação cooperativista reduz assimetrias, fortalece o poder de negociação, amplia a escala produtiva e oferece instrumentos para o enfrentamento de períodos adversos. Mais do que estruturas econômicas, as cooperativas constituem redes de confiança, conhecimento e apoio mútuo. Em momentos de instabilidade, essa capacidade coletiva torna-se ainda mais relevante.

A crise deve ser compreendida como alerta e oportunidade de transformação. Ela impõe disciplina, planejamento, profissionalização, governança, sucessão organizada e maior atenção aos riscos. Também prepara uma nova geração de gestores rurais, mais qualificada, resiliente e consciente das responsabilidades de atuar em um ambiente global competitivo.

O resultado poderá ser uma agricultura mais eficiente, tecnificada e preparada para os próximos ciclos. A concentração produtiva tende a avançar, mas o cooperativismo pode evitar a exclusão de pequenos e médios produtores, ao integrá-los a estruturas sólidas e competitivas. A próxima subida da montanha-russa virá, assim como novas descidas. Estará mais preparado quem compreender que prosperidade não dispensa prudência e que nenhuma crise precisa ser enfrentada de forma isolada.

Fonte: RCN

IMAGEM DIVULGAÇÃO


Montanha-Russa, por Vanir Zanatta, Presidente do Sistema OCESC Anterior

Montanha-Russa, por Vanir Zanatta, Presidente do Sistema OCESC

BRINCADEIRA DE MAU GOSTO TERMINA COM DOIS BALEADOS NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO Próximo

BRINCADEIRA DE MAU GOSTO TERMINA COM DOIS BALEADOS NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO

Deixe seu comentário