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03/08/2026 17:38
LUTO

Morre Bagre Fagundes, ícone da cultura gaúcha, aos 86 anos

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Cantor e compositor foi integrante do grupos Os Fagundes e deixou clássicos como "Canto Alegretense" e "Origens"

Euclides Fagundes Filho, mais conhecido como Bagre Fagundes, morreu no domingo (2), aos 86 anos, em Porto Alegre. A morte foi confirmada pelo filho dele, Ernesto Fagundes.

Um dos grandes nomes da cultura gaúcha, Bagre estava internado no Hospital Ernesto Dornelles, desde maio, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória ao se engasgar no almoço, em casa, na capital gaúcha. Ainda não há informação sobre velório.

Bagre foi integrante do grupo Os Fagundes, formado por artistas da família, e coautor do clássico Canto Alegretense ("Não me perguntes onde fica o Alegrete/ Segue o rumo do teu próprio coração"), em parceria com o irmão Nico.

Filho de Euclides Fagundes (1899-1981) e Florentina Fagundes (1902-1990), Bagre nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, mas cresceu no Alegrete ao lado de seis irmãos e cinco irmãs.

Foi casado com Marlene Vilaverde por mais de seis décadas. Do relacionamento nasceram quatro filhos: Euclides (o Neto Fagundes), Ernesto, Luciana e Paulinho.

Com sua inseparável gaita de quatro baixos, Bagre percorreu todos os rincões tocando, cantando e celebrando o Rio Grande do Sul em família.

"O meu Rio Grande, o meu lar"
A carreira musical de Bagre começou cedo, em uma rádio em São Borja, e sempre esteve marcada pela relação familiar. Foi ao lado do irmão Antônio Augusto Fagundes (1934-2015), o Nico, que ele compôs alguns de seus principais sucessos e declarou seu amor ao Estado.

A canção Origens remete diretamente ao programa Galpão Crioulo, da RBS TV, do qual foi tema de abertura por quase 40 anos e eternizou os versos "Eu sei que não vou morrer/ Porque de mim vai ficar/ O mundo que eu construí/ O meu Rio Grande, o meu lar".

Outra música assinada pelos irmãos é Canto Alegretense, uma das mais representativas da música gaúcha e que fala das raízes da dupla. Desde o início, Bagre não tinha dúvidas de que se tratava de um clássico instantâneo. Tornou-se um hino não oficial do Estado e ganhou projeção nacional.

— Eu disse para o Nico que essa música iria nos imortalizar pelo tanto que havia gostado dela. Meu irmão riu de mim, brincando que eu continuava o mesmo exagerado de sempre. O tempo provou quem estava com a razão, eu acho — disse Bagre em entrevista a Zero Hora em 2024.

Atuação em filme
Com Nico, Bagre também explorou seu talento audiovisual. Ele participou de O Grande Rodeio, filme produzido pelo irmão em que interpretou um artista popular que, com sua gaitinha, apresentava a canção Mané Romão no meio da Praça Getúlio Vargas, no Alegrete.

Ao relembrar a cena, em 2024, ele contou que o público presente era totalmente formado por moradores da região e, de improviso, a cena deu certo e foi para o filme. Na sequência, o personagem entrava em seu Fusca e partia para São Borja para o tal rodeio que iria ocorrer por lá.

— A câmera me filmava saindo de Alegrete e, depois, chegando em São Borja. Não ganhei nada para fazer a minha participação, o Fusca era meu e ainda tive que pagar a gasolina do meu bolso (risos) — contou Bagre em depoimento a Zero Hora. — Foi uma tentativa do Nico de fazer um filme totalmente rodado no Rio Grande do Sul, e ele fez. Saiu um filme agradável, bem-intencionado.

Música em família com Os Fagundes

A maior parte da discografia de Bagre foi desenvolvida ao lado do irmão e dos filhos. Entre as décadas de 1970 e 1980, fez parte do grupo Os Angüeras e, em seguida, criou o Grupo Inhanduy com Ernesto e Neto.

O trio venceu diversos festivais pelo Estado, entre os quais a Tertúlia Musical Nativista de Santa Maria, a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana e a Ronda da Canção Nativa de Alegrete.

O projeto foi o embrião do grupo Os Fagundes, fundado em 2001, que também contava com Nico, até a morte do nativista, em 2015. Na formação mais recente, o filho Paulinho ingressou no conjunto.

De filho para pai
Uma das canções mais marcantes que atravessam a trajetória de Bagre Fagundes é De Filho para Pai, composta por Ernesto Fagundes e Vaine Darde. 

A música coloca pai e filho para cantar lado a lado e entrega esta troca:

Ernesto
"Quantas vezes já te disse
Mas não custa repetir
E cantando digo agora
O quanto eu gosto de ti"

Bagre
"Ouve, guri, este velho que te adora
O nosso negócio é cantar
Não me faz chorar agora"

Juntos
"Pois é, pois é
A fruta não cai longe do pé"

A admiração dos filhos pelo pai (e do pai pelos filhos) sempre foi explícita. Em 2025, Os Fagundes realizaram um show no Teatro do Bourbon Country em homenagem ao patriarca da família. Na ocasião, Ernesto declarou:

— É uma homenagem e uma forma de agradecimento ao nosso "véio", que nos ensinou a amar a música e a cultura do Rio Grande. Só temos gratidão de poder subir ao palco com o pai.
Fonte: Diariogaucho.clicrbs.com.br

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