Na tranquila cidade de Palmas, no Sul do Brasil, uma nova era se inicia na agricultura. Sérgio Soczek, um produtor rural que representa a quarta geração de sua família na cultura da batata, está colhendo os frutos de uma safra inovadora que promete reduzir a pegada de carbono e aumentar a sustentabilidade do agronegócio.
Da Tradição à Inovação
“A batata sempre foi o carro-chefe da nossa família”, conta Sérgio, que, aos 67 anos, enfrenta um novo desafio: “Como plantar menos, produzir mais e, ao mesmo tempo, garantir uma maior rentabilidade de forma sustentável?”
Sérgio é um dos seis produtores que estão participando de um projeto colaborativo entre Yara, uma empresa norueguesa especialista em fertilizantes, e a PepsiCo, gigante do setor alimentício. Juntos, buscam transformar a maneira como a batata é cultivada no Brasil, um dos líderes dessa cadeia produtiva.
Os Números Que Fazem a Diferença
Atualmente, a área dedicada a esse projeto piloto é de 130 hectares, sendo 35 hectares sob a responsabilidade de Sérgio. Nessa safra, ele utiliza fertilizantes com até 90% menos carbono, o que propicia uma significativa redução nas emissões de gases de efeito estufa (GEEs)—até 40%.
Para Yara e PepsiCo, esta estratégia vai além de simplesmente aplicar novos insumos. Trata-se de uma abordagem integral de agropecuária regenerativa, que visa restaurar a saúde do solo, promover a biodiversidade e capturar carbono da atmosfera.
Uma Parceria Consciente
Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil, destaca a importância da colaboração. “Descarbonizar a agricultura requer a união de produtores, empresas e a indústria”, afirma. Essa parceria é vital, especialmente considerando que a agropecuária global representou, em 2019, cerca de 20% das emissões totais de carbono. Os fertilizantes, por sua vez, foram responsáveis por 11% dessa cifra.
Assim, o incentivo à redução da pegada de carbono dos fertilizantes surge como uma resposta necessária às demandas por práticas agrícolas mais sustentáveis. A boa notícia é que essa iniciativa já beneficia mais de 20 agricultores em diferentes países da América Latina e, agora, é um passo importante no Brasil.
Desafios e Oportunidades no Cultivo da Batata
A escolha da batata não é acidental. Este tubérculo é uma das culturas mais tecnificadas e capital-intensivas do Brasil, tornando-se uma opção ideal para a implementação de novas tecnologias. No Brasil, a produção anual varia entre 3,8 milhões e 4,2 milhões de toneladas, e o Paraná é um dos principais exportadores.
Entretanto, o cultivo exige investimentos que podem ultrapassar R$ 70 mil por hectare, o que faz com que a eficiência no uso dos insumos seja crucial para a lucratividade. Reduzir os custos e aumentar a produtividade são metas que andam de mãos dadas.
Caminhos para a Sustentabilidade
Para Sérgio, a nova tecnologia traz uma perspectiva promissora, inicialmente focada na melhoria econômica. “Utilizamos quase metade dos fertilizantes, mantendo ou até aumentando a produção”, explica. Essa estratégia resulta em um aumento potencial na rentabilidade, especialmente pela qualidade da batata.
Atualmente, Sérgio comercializa a batata para a PepsiCo por cerca de R$ 2.400 a tonelada. Com o uso de insumos que proporcionam uma alta qualidade na matéria seca, pode ganhar até R$ 250 a mais por tonelada—um benefício direto para o seu negócio.
Expandindo o Horizonte
Com um olhar voltado para o futuro, Sérgio espera ampliar sua produtividade. A meta? Chegar a até 50 toneladas por hectare. Para isso, vai investir em tecnologias que promovem a eficiência e na substituição de defensivos químicos por alternativas biológicas.
A Inovação na Indústria de Fertilizantes
A transformação dos fertilizantes utilizados por Sérgio não é uma simples questão de aplicação. Desenvolvidos inicialmente na Noruega, esses produtos inovadores, conhecidos como Climate Choice, buscam reduzir a pegada de carbono ao substituir hidrogênio de fontes fósseis por alternativas renováveis.
Essa tecnologia proporciona os mesmos resultados agronômicos, mas geralmente a um custo superior. A PepsiCo assume a diferença financeira, garantindo que os agricultores não sejam sobrecarregados com os novos preços.
Impacto do Mercado e Preços dos Insumos
Os preços dos fertilizantes têm sido um dos grandes desafios para os agricultores, especialmente com os impactos globais, como a recente guerra no Oriente Médio. Os aumentos nos custos de insumos, que em alguns casos chegam a 89%, fazem com que os agricultores busquem soluções mais eficientes e sustentáveis.
A ureia, por exemplo, teve um aumento alarmante, e isso ressalta a necessidade urgente por inovações. Por isso, como parte de sua estratégia, a PepsiCo aposta na tecnologia de baixo carbono, permitindo que os agricultores se beneficiem de maior produtividade sem onerar suas operações.
O Futuro da Agricultura Sustentável
Com a primeira safra de batata de baixo carbono em fase de validação, as expectativas são altas. Os resultados agronômicos e econômicos coletados ao longo deste projeto orientarão futuras expansões e podem incluir outros tipos de culturas.
“Não buscamos criar um produto isolado, mas elevar o padrão de toda a cadeia”, afirma Ismael Cordeiro, gerente de Sustentabilidade da PepsiCo Brasil.
A conclusão que se tira é clara: a sustentabilidade eficaz no campo exige um equilíbrio. No cultivo da batata, uma cultura exigente, a descarbonização se alinha diretamente à eficiência econômica.
Assim, o futuro da agricultura caminha em uma nova direção—uma que promete não apenas resultados financeiros, mas também um compromisso sólido com o meio ambiente. E essa história ainda está apenas começando. Que tal compartilhar suas opiniões sobre essas práticas inovadoras?
Fonte: Fronteiraeconomica.com.br

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