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24/10/2026 08:34
ELEIÇÕES 2026

Debate presidencial tem troca de alfinetadas, críticas e apresentação de planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro

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O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026, realizado na noite de sexta-feira, dia 23, pela TV Globo, foi marcado pela apresentação de propostas, críticas às gestões anteriores e troca de provocações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Mediado pelo jornalista César Tralli, no Rio de Janeiro, o encontro abordou temas considerados prioritários para o próximo governo, como economia, obras públicas, saúde, programas sociais e desenvolvimento regional.

Diferentemente do debate realizado pela Band no último domingo, dia 18, o confronto desta sexta-feira teve maior espaço para a discussão de propostas e dos planos de governo. Mesmo assim, os candidatos protagonizaram momentos de tensão, questionaram promessas dos adversários e disputaram o reconhecimento por medidas implementadas em administrações anteriores.

Um dos primeiros embates envolveu o número de obras públicas paralisadas no país. Flávio Bolsonaro criticou a administração federal e afirmou que milhares de empreendimentos permanecem inacabados. O candidato prometeu ampliar a malha ferroviária brasileira, investir em concessões rodoviárias e expandir o acesso à internet.

Lula rebateu as críticas e defendeu os investimentos de sua gestão por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O presidente destacou projetos de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos e afirmou que pretende dar continuidade às obras em andamento caso seja reeleito.

Durante a discussão sobre infraestrutura, Flávio também mencionou uma proposta de ligação ferroviária entre o Centro-Oeste e o Oeste do Paraná e de Santa Catarina, com o objetivo de facilitar o transporte de grãos destinados às regiões produtoras de proteína animal.

A situação econômica das famílias brasileiras também foi debatida. Flávio questionou o aumento do custo de vida, o endividamento da população e a carga tributária. Lula respondeu defendendo sua política de valorização do salário mínimo e apresentou a possibilidade de transporte público gratuito aos fins de semana, proposta que recebeu apoio do adversário, apesar das divergências sobre a condução da economia.

Planos de governo incluem programas sociais, saúde e aposentadorias
Na apresentação de suas propostas, Flávio Bolsonaro prometeu reajustar o Bolsa Família e permitir que beneficiários mantenham temporariamente o auxílio após conseguirem emprego formal ou abrirem uma empresa. Uma regra de transição semelhante já existe no programa.

O candidato também defendeu medidas de renegociação de dívidas, a autonomia do Banco Central e a atualização da tabela de pagamentos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Lula, por sua vez, destacou programas sociais de seu governo, defendeu a continuidade dos investimentos públicos e apresentou a proposta de ampliar as medidas de renegociação de dívidas das famílias brasileiras.

Outro ponto de divergência envolveu o reajuste das aposentadorias e do salário mínimo. Lula questionou Flávio sobre a possibilidade de cortes em benefícios e comparou o modelo econômico defendido pelo adversário ao do presidente argentino Javier Milei.

Flávio rebateu as críticas e garantiu que pretende conceder reajustes acima da inflação ao salário mínimo e às aposentadorias. O candidato também afirmou que não pretende privatizar empresas como Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Alfinetadas e provocações elevam o tom do debate
Apesar do maior espaço dedicado às propostas, o encontro também teve momentos de confronto pessoal.

Flávio Bolsonaro provocou Lula ao utilizar a expressão "nove dedos", em referência à deficiência física do presidente. Lula reagiu, criticou a fala e acusou o adversário de desrespeito. Após a repercussão da declaração durante o próprio debate, Flávio pediu desculpas.

Em outro momento, o presidente afirmou que o candidato do PL desconhecia a realidade de determinadas regiões brasileiras e fez referência à crise de falta de oxigênio no Amazonas durante a pandemia de Covid-19, criticando a atuação do governo de Jair Bolsonaro.

Flávio, por sua vez, voltou a questionar a administração petista, especialmente em relação aos impostos, juros e dificuldades financeiras enfrentadas pelos brasileiros. Uma das críticas foi dirigida ao poder de compra da população, quando questionou se o salário das famílias ainda era suficiente antes mesmo do encerramento do mês.

Região Sul também entra na discussão

Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul também estiveram entre os assuntos abordados pelos presidenciáveis.

Flávio Bolsonaro defendeu investimentos em infraestrutura e projetos ferroviários capazes de melhorar o escoamento da produção agrícola, especialmente no Oeste catarinense e paranaense.

Durante a discussão sobre o Sul, Lula questionou o adversário a respeito da política econômica que pretende adotar, citando possíveis cortes de gastos e sua proximidade com as propostas do presidente argentino Javier Milei. Flávio respondeu defendendo medidas de reorganização das contas públicas e voltou a criticar a situação econômica brasileira.

Debate evidencia diferenças entre os projetos de governo

Ao longo do encontro, Lula concentrou parte de suas intervenções na defesa dos resultados de sua administração e na continuidade dos programas sociais, investimentos em infraestrutura e políticas de valorização da renda.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, buscou apresentar uma alternativa ao atual governo, defendendo maior controle das despesas públicas, mudanças na política econômica, investimentos logísticos e medidas para reduzir o endividamento da população.

Os planos de governo registrados pelos dois candidatos estão disponíveis para consulta pública no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), permitindo que os eleitores comparem as propostas além das declarações apresentadas durante a campanha.

O debate de sexta-feira, dia 23, representou a última oportunidade de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno, marcado para domingo, dia 25. Com a disputa presidencial chegando à reta final, os candidatos buscaram convencer principalmente os eleitores indecisos, alternando propostas para os próximos quatro anos com críticas aos respectivos adversários.

Fonte: Oeste+

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